A falta de oportunidade de trabalho pesa mais do que a flexibilidade de horários para motoristas de aplicativos e entregadores no Brasil, segundo a terceira edição da pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre trabalho por plataformas digitais, divulgada nesta sexta-feira (4).
Entre os motoristas de transporte de passageiros, 33,4% afirmaram que não conseguiram encontrar outro trabalho. A flexibilidade de horários aparece como principal motivo para 27,2% desse grupo, enquanto 24,4% decidiram pela atividade por considerarem o rendimento maior do que em outras ocupações disponíveis.
Nos aplicativos de entrega, os índices são equilibrados. Cerca de 26,9% dos entregadores citam a falta de outro emprego, contra 26,6% que apontam a flexibilidade e outros 26,6% que mencionam rendimentos superiores às demais opções de trabalho.
O cenário muda para os taxistas, nos quais complementar a renda é a razão principal, citada por 26,7% dos profissionais. A dificuldade de encontrar outro emprego (23,8%) e a flexibilidade (23,5%) aparecem na sequência.
Para profissionais de serviços gerais, como eletricistas e diaristas, a complementação de renda é o motivo para 29,4% dos entrevistados. A flexibilidade é citada por 22,4%, e 14,1% buscam melhorar habilidades, ganhar experiência ou expandir a rede de contatos.
No conjunto total de trabalhadores que utilizam plataformas digitais como atividade principal, a flexibilidade assume a liderança com 26,8% das menções. A dificuldade de encontrar outra ocupação aparece em segundo lugar, com 24,6%, seguida pelo rendimento maior (20,8%) e a complementação de renda (16,6%).
O estudo foi realizado pelo IBGE em convênio com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Ministério Público do Trabalho (MPT). A predominância da flexibilidade no resultado geral ocorre devido à média ponderada pelo tamanho de cada grupo analisado.


