O Federal Bureau of Investigation (FBI) investiga a possível venda de cópias digitais de mais de 153 milhões de carteiras de motorista dos Estados Unidos e Canadá. O caso surgiu após denúncias de que um site na dark web, chamado Nexus, oferecia escaneamentos de documentos de identidade de milhões de pessoas na América do Norte.
O serviço, que já saiu do ar, alegava possuir mais de 10 milhões de cartões de identificação, três milhões de passaportes ou documentos internacionais e centenas de milhares de cartões médicos. Segundo apuração do jornalista independente Brian Krebs, o site teria sido divulgado em um fórum russo de cibercrime. Entre os documentos oferecidos estaria a identidade do Secretário de Defesa, Pete Hegseth.
O FBI confirmou que está analisando o incidente, mas não forneceu detalhes por se tratar de uma investigação em curso. O site Nexus afirmava ter obtido os dados por meio de uma invasão em uma empresa de verificação de identidade, exfiltrando informações continuamente durante mais de um ano.
A IDScan.net, provedora de verificação de identidade sediada em Nova Orleans, informou que está investigando o ocorrido. A companhia presta serviços de validação de documentos para dispensários de maconha, varejo, transportes e setor financeiro nos Estados Unidos.
James E. Lee, presidente do Identity Theft Resource Center, afirmou que a brecha pode ser uma das maiores já registradas envolvendo documentos governamentais. Diferente de senhas, dados biométricos e imagens de documentos não podem ser alterados, o que aumenta a vulnerabilidade dos usuários.
Especialistas alertam que imagens de alta qualidade facilitam a abertura de linhas de crédito fraudulentas e podem ser usadas para criar deepfakes com inteligência artificial. Edgar Whitley, professor da London School of Economics (LSE), explicou que o risco é significativamente maior do que em vazamentos de dados textuais simples.
Como medida de proteção, especialistas recomendam o congelamento de crédito junto a birôs como Equifax, Experian e TransUnion, dificultando a abertura de contas em nome de terceiros. A orientação é que consumidores questionem empresas sobre a retenção de seus dados e se a apresentação de documentos físicos é suficiente para a transação.


