O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, integrou a análise da inteligência artificial às discussões recorrentes de sua política monetária em 2026. A instituição monitora como a tecnologia afeta a produtividade, a inflação e a estabilidade dos mercados financeiros, após a IA deixar de ser uma promessa tecnológica para movimentar volumes expressivos de capital na economia real.
A governadora do Federal Reserve, Lisa Cook, afirmou que a expansão da infraestrutura de IA já contribuiu para a elevação de preços de semicondutores, softwares, equipamentos de alta tecnologia e serviços públicos. Embora a tecnologia possa ser deflacionária no longo prazo ao aumentar a produtividade, a construção de data centers e a demanda por energia e mão de obra especializada pressionam os custos atuais.
No mercado de trabalho, as autoridades do Fed avaliam que o efeito líquido da IA ainda é limitado, com a criação de vagas para engenheiros e eletricistas compensando substituições. Contudo, dados do Federal Reserve de Dallas mostram que a redução de empregos em setores expostos à tecnologia é mais forte entre trabalhadores com menos de 25 anos, dificultando a entrada de jovens em cargos iniciais de pesquisa e programação.
O presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, declarou no simpósio de Jackson Hole que a economia atingiu um ponto de inflexão histórico. A aposta otimista é que a IA permita um crescimento econômico acelerado com custos menores, sem provocar a inflação típica de economias superaquecidas, embora o Fed reconheça que a contribuição real da tecnologia na produtividade americana tenha sido modesta até agora.
A instituição também monitora o risco de uma bolha financeira. O Fed discutiu a concentração de capital em poucas companhias e o financiamento de infraestruturas via dívidas em mercados privados menos transparentes. A preocupação é que as expectativas econômicas superem os resultados entregues, repetindo a dinâmica da bolha das empresas ponto-com ocorrida no início dos anos 2000.


