A Fifa acusou a Uefa de promover uma “campanha de difamação” contra a entidade e sua direção nesta quinta-feira (3). A reação ocorre após a confederação europeia solicitar à Justiça dos Estados Unidos a entrega de documentos sobre um plano, já abandonado, para atrair investidores para a Copa do Mundo.
A Uefa apresentou pedidos em três estados americanos para exigir a divulgação de arquivos da Fifa e de parceiros, como a gestora Thrive Capital. A empresa é comandada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump. A confederação europeia afirma que, se obtiver os documentos, poderá formalizar uma denúncia na Suíça por suposta “má gestão criminosa” de Gianni Infantino.
Em resposta, a Fifa solicitou aos juízes americanos autorização para contestar as petições. A entidade argumentou que as solicitações são, na verdade, comunicados de imprensa para atacar a direção da organização. Segundo a Fifa, a Uefa não teria legitimidade processual por não ter sofrido prejuízo econômico, além de não haver ação penal aberta na Suíça ou em outra jurisdição.
A organização do futebol mundial alega que a Uefa contornou ilegalmente a Justiça suíça ao recorrer aos tribunais dos Estados Unidos. A Fifa afirma que a divulgação de correspondências de Infantino e de assessores revelaria informações confidenciais e ameaçaria os interesses da instituição.
O embate ocorre enquanto a Uefa tenta afastar Infantino, que busca reeleição para um quarto mandato em março. Embora a confederação europeia tenha classificado o plano de investimentos como um “acordo obscuro”, a proposta teve apoio das confederações da Ásia (AFC) e da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf).
No início de agosto, as três confederações enviaram uma carta conjunta pedindo que a Fifa volte a ser administrada como uma instituição a serviço do futebol, em vez de operar como um instrumento de poder individual. Victor Montagliani, presidente da Concacaf, é apontado como o provável adversário de Infantino em uma eventual disputa.


