O Ministério da Saúde anunciou, nesta quarta-feira (2), que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) iniciará os testes clínicos em humanos de uma vacina contra a Covid-19 desenvolvida integralmente no Brasil. O imunizante utiliza a tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) e é fruto de uma parceria com o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos).
A primeira fase dos testes está prevista para o primeiro trimestre de 2027, dependendo de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Voluntários receberão a dose e serão monitorados por um ano para verificar a segurança do produto e a resposta do sistema imunológico. A proposta é que a vacina seja utilizada como dose de reforço.
O governo federal destinou R$ 210 milhões para projetos de mRNA. Os recursos foram divididos entre a Fiocruz, que recebeu R$ 77 milhões, o Instituto Butantan, com R$ 73 milhões, e o Centro de Competência em Vacinas da Universidade Federal de Minas Gerais (CTV-RNA/UFMG), que recebeu R$ 60 milhões.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que o Brasil avança na apropriação da plataforma tecnológica em um momento em que outras nações reduziram investimentos na área. Segundo Padilha, o país possui três plataformas e se prepara para o desenvolvimento de novos imunizantes.
A tecnologia de mRNA fornece instruções temporárias às células para produzirem proteínas que estimulam a defesa do organismo. Pesquisadores pretendem adaptar a plataforma para criar vacinas contra tuberculose, dengue, malária, leishmaniose e doença de Chagas, além de terapias para o tratamento do câncer.
Para o presidente da Fiocruz, Mario Moreira, o domínio da tecnologia reduz a dependência de soluções externas e amplia a capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde (SUS) a emergências sanitárias. O projeto inclui cooperação internacional com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).


