A classificação de risco do Brasil permanece estável, mas os fatores negativos relacionados às finanças públicas e à dívida do governo estão aumentando, avaliou Shelly Shetty, responsável pelos ratings soberanos da América Latina e Europa emergente na Fitch Ratings, em evento realizado nesta terça-feira (1), em São Paulo.
A economista afirmou que o país possui economia diversificada e balanço externo forte, mas as fraquezas se concentram no déficit público e em uma dívida alta. Segundo Shetty, a economia deve crescer cerca de 2% este ano, com desaceleração prevista para 2027 devido à política monetária restritiva do Banco Central (BC). O ritmo de crescimento deve retornar aos 2% em 2028.
A taxa de investimento no Brasil segue estagnada em torno de 17% do PIB, patamar inferior ao de Estados Unidos e Argentina. A analista atribui o baixo investimento a razões estruturais, como a falta de reformas para reduzir o custo Brasil, os juros elevados e a baixa confiança empresarial. A inflação é projetada em 5% para este ano e cerca de 3% entre 2027 e 2028.
Sobre a gestão fiscal, Shetty disse que o Brasil detém o maior déficit da América Latina, impulsionado pelo peso dos juros. A economista criticou a eficiência do arcabouço fiscal, apontando que o limite de crescimento de 2,5% ao ano supera a estimativa de crescimento potencial da agência, o que impede a redução da relação entre gastos e PIB. Ela questionou a viabilidade das projeções de superávit primário do Tesouro.
A relação dívida/PIB atual é de 80%, a segunda maior entre países em desenvolvimento. No cenário base da Fitch, a dívida continua crescendo. Em uma hipótese pessimista, sem ajuste fiscal, o índice poderia atingir 95% ou 100% do PIB. Caso haja superávits primários e redução dos custos de juros, a dívida poderia estabilizar entre 85% e 90% antes de cair.
A analista afirmou que a agência observará como o futuro presidente lidará com o ajuste fiscal. Segundo ela, a medida será fundamental tanto em caso de reeleição de Luiz Inácio Lula quanto em eventual vitória de Flávio Bolsonaro. Shetty disse que a implementação de reformas dependerá da vontade política para aprovar medidas impopulares e da relação do eleito com as instituições.


