O candidato à Presidência pelo Partido Liberal (PL), Flávio Bolsonaro, utiliza a crise entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF) para estimular protestos convocados para o dia 7 de setembro. A estratégia visa atrair eleitores a menos de um mês do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Segundo o Datafolha, Flávio aparece tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual segundo turno, com 44% das intenções de voto contra 46%. A campanha aposta que as manifestações unifiquem as pautas de oposição ao governo federal e ao ministro Moraes. Nas redes sociais, o candidato afirmou que a “dupla não tem mais lugar no comando do país”.
Flávio Bolsonaro declarou que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), Moraes e o ministro Flávio Dino articularam uma “ação ilegal” contra ele para desgastá-lo eleitoralmente e reagir a André Mendonça. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também reforçou as convocações em vídeo, chamando o magistrado de “verme” e defendendo que a mobilização popular provoque reações internacionais e possíveis processos de impeachment.
O conflito na Corte começou na terça-feira (1º), quando André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal (PF) com mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro citando Moraes, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet. Em resposta, Moraes exigiu que Rodrigues encaminhasse relatórios de inteligência com citações a integrantes do tribunal.
O presidente do STF, Edson Fachin, abriu procedimento para esclarecer pontos da investigação do caso Master. A PGR defendeu a nulidade das informações da PF, alegando que Mendonça não poderia determinar o relatório por iniciativa própria e que a investigação de um ministro exigiria autorização do plenário.
Na quinta-feira (3), Moraes enviou despacho ao presidente da Corte apontando indícios de improbidade administrativa e crime de responsabilidade por parte de Mendonça. Nesta sexta-feira (4), Fachin determinou que o pedido de investigação contra Mendonça fosse retirado do inquérito das fake news e deu prazo de cinco dias para que a PGR e o ministro se manifestem.


