Fornecedores chineses de terras raras estão recusando o envio de produtos para os Estados Unidos por temor a represálias do governo de Pequim, segundo fontes consultadas. O impasse ocorre semanas antes da visita do presidente Xi Jinping a Washington, marcada para 24 de setembro, e coloca o acesso a materiais críticos no centro da agenda bilateral.
Alguns fornecedores interromperam os embarques no início de agosto, após a China sancionar a Responsible Business Alliance (RBA), entidade norte-americana de monitoramento de cadeias de suprimentos. Empresas chinesas temem punições ao cumprirem auditorias do programa Responsible Minerals Initiative (RMI), vinculado à RBA. Outras companhias já haviam suspendido envios nos últimos meses para evitar envolvimento em questões geopolíticas ou revendas a usuários proibidos.
A escassez afeta materiais como ítrio, fosfeto de índio e tungstênio, fundamentais para a indústria aeroespacial, fabricação de chips e aplicações militares. Os preços desses insumos permanecem próximos a níveis recordes. Setores de energia e dispositivos médicos também registram atrasos. Dados da alfândega chinesa indicam que as exportações de ítrio para os EUA este ano representam cerca de metade do volume de 2024.
O Ministério das Relações Exteriores da China declarou compromisso com a manutenção das cadeias globais de abastecimento. No entanto, Pequim justifica as sanções contra a RBA como resposta a restrições impostas pela Comissão Federal de Comunicações (FCC) a laboratórios e empresas de tecnologia chinesas desde dezembro. Autoridades chinesas alegam que as ações da FCC violam o acordo de Busan.
O governo dos EUA tem pressionado a China para que cumpra os compromissos de garantir o fluxo regular de licenças de exportação. Algumas empresas norte-americanas aguardam autorizações de mineração há mais de seis meses. Apesar do cenário, a China enviou 27 toneladas de ítrio aos EUA em julho, o segundo maior volume mensal desde janeiro de 2025.
A restrição também atinge compradores do Japão e da Índia. O ministro do Comércio do Japão, Ryosei Akazawa, afirmou que empresas japonesas enfrentam atrasos em inspeções alfandegárias. Entre janeiro e agosto, a China não exportou térbio para o Japão, enquanto os embarques de gálio caíram 65% no mesmo período.


