A França, maior produtora de trigo da União Europeia, poderá perder a capacidade de exportar o cereal para o mercado mundial nos próximos 10 anos. A previsão foi feita nesta terça-feira (8) por um grupo de produtores, que aponta a queda constante nas safras e pressões econômicas como causas do risco.
O Ministério da Agricultura informou que o país produziu 31,9 milhões de toneladas métricas de trigo ‘soft’, a principal variedade local, neste ano. O volume representa uma redução de 4% em comparação a 2025. Segundo a Associação Geral de Produtores de Trigo (AGPB), a produção vem caindo desde a safra recorde de 41 milhões de toneladas, registrada em 2015.
Se o ritmo atual for mantido, a França poderá perder outras 6 milhões de toneladas de produção até 2036. Esse volume equivale ao excedente de exportação previsto para esta safra em mercados fora da União Europeia, informou a AGPB.
A redução dos rendimentos é atribuída a um clima mais quente e seco. Paralelamente, a queda na renda fez com que produtores dedicassem menos área aos grãos, especialmente em regiões do centro e do sul do país. A AGPB previu que os produtores registrarão renda negativa pelo quarto ano consecutivo em 2026, já que o aumento nos custos de fertilizantes anula a recuperação dos preços agrícolas.
A entidade classificou como insuficiente o pacote de ajuda do governo de 1 bilhão de euros (US$ 1,16 bilhão) para perdas climáticas. Como solução de longo prazo, a AGPB propôs que a União Europeia implemente subsídios variáveis, com maior auxílio nos períodos de preços baixos e menor suporte quando o mercado for favorável.
O presidente da AGPB, Eric Thirouin, afirmou que a organização é contra a ampliação da cota de importação de trigo da Ucrânia para a União Europeia. Segundo Thirouin, a medida poderia pressionar os preços, repetindo o cenário ocorrido durante a guerra da Rússia contra a Ucrânia.


