O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em proposta de delação premiada que doações feitas às campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e de Jair Bolsonaro (PL) em 2022 foram propinas. Segundo Vorcaro, os valores foram negociados com o presidente do PSD, Gilberto Kassab, para garantir a continuidade do programa Credcesta no governo de São Paulo.
Os repasses oficiais somaram R$ 5 milhões, sendo R$ 2 milhões para Tarcísio e R$ 3 milhões para Bolsonaro. Vorcaro relatou ainda a entrega de cerca de R$ 10 milhões em espécie, via caixa 2, a interlocutores de Kassab para campanhas do PSD. O acordo previa o repasse de 5% do resultado líquido da operação do Credcesta em São Paulo.
O Credcesta, cartão de crédito consignado para funcionários públicos, é operado pela PKL One Participações, empresa de parentes de Augusto Lima, sócio de Vorcaro. Na proposta de delação, Vorcaro diz que Lima buscou assegurar o negócio junto ao governo paulista por meio de Kassab, que era apoiador da campanha e depois tornou-se secretário do Governo de São Paulo.
A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram a proposta de delação em três versões diferentes, alegando falta de ineditismo e de provas. Na semana passada, Vorcaro reiterou o interesse em delatar em audiência com o ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, mas a PGR negou novamente o pedido.
Gilberto Kassab refutou as acusações e afirmou que nunca tratou de doações com Lima ou Vorcaro, negando ter recebido valores em espécie. A defesa de Augusto Lima classificou as declarações como “absurdas”. Tarcísio de Freitas negou qualquer vínculo com Vorcaro, informando que a prestação de contas de sua campanha foi aprovada pela Justiça Eleitoral.
O governo de São Paulo informou que o credenciamento da PKL One ocorreu em maio de 2022, na gestão anterior, e que a operação foi suspensa em 19 de fevereiro de 2026. A defesa de Jair Bolsonaro não respondeu aos questionamentos.


