O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou à Polícia Federal (PF) na última sexta-feira (28) que não esperava a liquidação da instituição. Em depoimento prestado na Papudinha, em Brasília, o ex-banqueiro declarou que só tomou conhecimento da decisão no momento de sua primeira prisão, ocorrida em 17 de novembro de 2025.
A oitiva integra investigação sobre possíveis pagamentos de propina a diretores de fiscalização e supervisão bancária do Banco Central (BC). Questionado pelo delegado sobre quando percebeu que a liquidação seria o caminho mais provável, Vorcaro disse que a ficha caiu quando estava atrás das grades, afirmando que o desfecho foi rápido e inusitado na tarde da prisão.
Vorcaro foi detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, quando viajaria para Dubai para tratar de negócios. No mesmo dia, ele havia anunciado a venda do Banco Master para a Fictor e um grupo de investidores dos Emirados Árabes Unidos, após o BC rejeitar a incorporação da instituição pelo Banco de Brasília (BRB).
O empresário atribuiu a negativa do Banco Central a um ataque midiático. Ele informou que viajou três ou quatro vezes aos Emirados Árabes para buscar investidores privados que evitassem a tensão gerada pelo tema do BRB.
Mensagens divulgadas após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de uma ação mostram que Vorcaro buscou informações sobre a investigação com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), dias antes de ser preso. O conteúdo não foi tratado pelo ex-banqueiro durante o depoimento à PF.
No dia 15 de novembro, dois dias antes da detenção, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país. Na véspera, questionou o ministro sobre a chance de ser detido na manhã seguinte. A ordem de prisão foi assinada em 17 de novembro, às 15h29, pelo juiz Ricardo Augusto Soares Leite, da 10ª Vara Federal do Distrito Federal.


