O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, demonstrou preocupação com o uso do Pix para realizar pagamentos ao escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O diálogo consta em relatório da Polícia Federal (PF) elaborado a pedido do ministro André Mendonça.
Em 1º de outubro de 2025, Alberto Felix, responsável por operações financeiras de Vorcaro, informou ao banqueiro que havia quitado pagamentos pendentes, incluindo um repasse ao escritório de Barci de Moraes. Ao saber que a transferência ocorreu via Pix, Vorcaro questionou a modalidade e afirmou que a prática “não é bom”.
A conversa foi extraída do celular de Vorcaro, apreendido durante a operação Compliance Zero. Segundo a PF, o banqueiro orientou Felix a não utilizar o Pix para pagamentos ao escritório. O relatório de 218 páginas não detalha o motivo pelo qual Vorcaro considerava o método inadequado nem especifica os valores transferidos.
Outro registro indica que, em 14 de julho de 2025, Vorcaro instruiu um funcionário para que ninguém tivesse acesso ao contrato firmado com o escritório de Viviane Barci de Moraes. O documento era tratado diretamente pelo fundador e seus subordinados.
A operação Compliance Zero foi deflagrada em novembro de 2025 para apurar suspeitas de fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB). Vorcaro foi preso na primeira fase da ação, no dia 18 de novembro de 2025.
O documento da PF, entregue em 27 de agosto de 2026, foi tornado público nesta terça-feira (1º) após decisão do ministro André Mendonça. A corporação informou que a análise não foi exaustiva devido ao prazo de 72 horas determinado pela Justiça, o que pode significar a existência de outras referências ainda não identificadas.
O ministro Alexandre de Moraes, o escritório Barci de Moraes, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e a defesa de Daniel Vorcaro não responderam aos pedidos de manifestação.


