O fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, afirmou em depoimento ao gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que sofreu torturas e ameaças durante a prisão. O banqueiro relatou ter sido mantido em um caixote por seis horas para que não fechasse um acordo de delação premiada.
A audiência ocorreu no dia 27 de agosto, por requerimento da defesa de Vorcaro, que alegou graves intimidações. O ministro Mendonça informou que o depoimento foi realizado com urgência e não contou com a participação de integrantes da Polícia Federal (PF). O ato foi conduzido por um juiz auxiliar do ministro, com a presença do Ministério Público e dos advogados do depoente.
Vorcaro detalhou que as agressões ocorreram durante transportes, citando um trajeto de São Paulo para Brasília. Segundo ele, foi deixado em um caixote, sem ar e suando, momento em que teria ouvido que aquilo era a consequência de querer falar sobre seu chefe. O banqueiro disse ainda que temeu pela própria vida e afirmou que “morreu umas cinco vezes”.
Outro relato envolve o transporte em helicóptero por agentes da PF. Vorcaro disse ter sido obrigado a usar óculos semelhantes aos utilizados por Nicolás Maduro em sua viagem da Venezuela para os Estados Unidos. Durante o trajeto, relatou ter ouvido frases de agentes afirmando que ele teria “feito merda”.
Na quarta-feira (2), a Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu o arquivamento do depoimento. O órgão considerou que o fundador do Banco Master não apresentou provas que comprovassem a ocorrência de intimidação. Vorcaro declarou que a verdade só será estabelecida se houver interesse real em ouvir os fatos.
A defesa de Vorcaro informou que não pretende se manifestar sobre os relatos. Questionada sobre as acusações de tortura e ameaças cometidas por seus agentes, a assessoria da Polícia Federal não respondeu aos contatos.


