O ministro Gilmar Mendes propôs ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a proibição de delegados da Polícia Federal (PF) atuarem nos gabinetes dos magistrados da corte. A medida visa evitar que policiais cedidos interfiram na condução de investigações para obter benefícios políticos ou ascensão na carreira.
Atualmente, cinco delegados da PF estão cedidos ao tribunal. Dois trabalham com o ministro André Mendonça nos casos Master e do Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), um atua com Alexandre de Moraes, um com Luiz Fux e um trabalha na área de segurança.
A proposta ganhou força após a exposição de diálogos entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. Gilmar Mendes já havia defendido a restrição durante a crise entre André Mendonça e a direção-geral da PF. O presidente da corte, Edson Fachin, tem realizado conversas individuais com os magistrados para tratar a situação com prudência.
Um ministro alertou Fachin sobre a possibilidade de Mendonça ser influenciado por delegados lotados em seu gabinete, que seriam críticos à postura do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Mendonça, por sua vez, afirma a interlocutores que atua com independência e cautela para garantir a integridade das investigações.
Um grupo de magistrados defende que Mendonça ignorou ritos regimentais ao determinar que a PF investigasse um ministro do STF sem decisão prévia do plenário. Esse grupo prepara ofensivas baseadas em vazamentos de informações sigilosas, na participação de Mendonça no Instituto Iter e em reuniões sem a presença da PF.
O governo federal enviou ofícios em junho a mais de 50 órgãos públicos solicitando a devolução de policiais federais cedidos aos seus postos de origem, mas o Supremo Tribunal Federal foi poupado da medida. O entorno de Mendonça nega a ocorrência de atos investigatórios irregulares, alegando que houve apenas a determinação para identificar o interlocutor de Vorcaro.


