Gotas de chuva que adquirem carga elétrica espontaneamente ao deslizar por superfícies podem romper revestimentos protetores e causar a corrosão de metais, segundo estudo liderado pelo Instituto Max Planck de Pesquisa em Polímeros, na Alemanha, publicado na revista Nature.
Até então, a ciência atribuía a corrosão provocada pela chuva principalmente ao efeito abrasivo físico das gotas ou à presença de ácidos derivados da poluição atmosférica. A nova investigação analisou como gotas de água inicialmente neutras se tornam eletricamente carregadas e danificam diferentes materiais.
O fenômeno, chamado de eletrificação por contato, ocorre quando a água se desloca sobre superfícies como vidros de janelas, paredes de edifícios, materiais plásticos, asas de insetos e folhas de plantas. Ao atingirem metais protegidos por revestimentos não condutores, essas gotas provocam uma ruptura elétrica que expõe o metal subjacente.
Para testar a hipótese, cientistas utilizaram quatro superfícies: uma folha de planta, um painel de espuma de PVC, vidro revestido com poliestireno e um revestimento hidrofóbico conhecido como PFOTS. As gotas deslizaram por esses materiais e depois atingiram cobre revestido com teflon.
As análises mostraram que a queda de 3 mil gotas carregadas causou a deterioração do teflon e a consequente corrosão do cobre. O experimento comprovou que não houve danos na superfície quando as gotas não possuíam carga elétrica.
Os pesquisadores informaram que é necessário continuar as investigações para determinar formas de evitar a corrosão nessas condições. O objetivo é aperfeiçoar os materiais utilizados na proteção de automóveis, embarcações e edifícios, reduzindo problemas econômicos e de segurança.


