O governo de ultradireita de Giorgia Meloni tornou-se, nesta sexta-feira (4), o mais duradouro da história do pós-guerra na Itália. A premiê completou 1.413 dias consecutivos no cargo, superando o recorde de Silvio Berlusconi, que permaneceu 1.412 dias durante seu segundo mandato, entre 2001 e 2005.
Em publicação no X, Meloni afirmou que a estabilidade não é um recorde a ser exibido, mas a condição necessária para que a nação possa planejar, decidir e ser respeitada. O país teve 68 governos nos últimos 80 anos, a maioria derrubada por crises e deserções, com média de duração de 13 meses.
Para celebrar a marca, o partido Irmãos da Itália (FdI) organizou um evento no porto da capital da região de Puglia, com capacidade para 10 mil pessoas. O ato funciona como um comício antecipado para as eleições de 2027, com a participação por videoconferência dos vice-primeiros-ministros Matteo Salvini e Antonio Tajani.
Apesar da longevidade, a gestão enfrenta resistências. Lorenzo Pregliasco, do instituto YouTrend, informou a agências internacionais que a derrota de Meloni em referendo sobre a reforma do sistema judiciário este ano sinalizou a existência de uma maioria alternativa à coalizão atual. A reforma era uma das três principais promessas não cumpridas do governo.
Na economia, a previsão de crescimento para 2026 é de 0,6%, com salários reais estagnados desde o início da década de 1990. Chiara Braga, líder do Partido Democrático, disse que a estabilidade parlamentar não resultou em melhorias no padrão de vida da população ou na competitividade das empresas.
Defensores da premiê argumentam que houve redução de impostos, aumento da arrecadação e maior relevância da Itália no cenário global e em Bruxelas. No entanto, pesquisa da YouTrend publicada nesta sexta-feira indica que 53% dos entrevistados consideram que o país segue na direção errada, contra 31% que veem a direção certa.


