O secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Guilherme Mello, afirmou nesta terça-feira (1º) que a ampliação do acesso ao crédito no Brasil gerou novos desafios ligados ao endividamento das famílias. Durante o evento Zetta Summit 2026, em Brasília, Mello defendeu a necessidade de discutir a qualidade do crédito para garantir a sustentabilidade financeira dos consumidores.
Mello explicou que o crédito era considerado um item de luxo há algumas décadas, restrito a pessoas com renda. A digitalização do sistema financeiro e a expansão da bancarização ampliaram esse acesso, processo favorecido pela estabilização econômica pós-hiperinflação e pelo aumento da massa salarial e redução do desemprego.
O secretário afirmou que parte dos novos consumidores não possui experiência na administração de dívidas, citando a quantidade de cartões de crédito utilizados pelos brasileiros. Para ele, a educação financeira deve ser implementada junto a medidas regulatórias, pois a formação do consumidor não ocorre de forma imediata.
O programa Desenrola foi citado como exemplo de política para mitigar os efeitos do endividamento de quem contratou linhas acima da capacidade de pagamento ou recorreu a juros elevados. Mello mencionou também o Crédito do Trabalhador, criado ao se identificar que profissionais com carteira assinada utilizavam linhas caras apesar de possuírem estabilidade para acessar custos menores.
A próxima fase da cidadania financeira deve focar na capacidade de gestão do endividamento, segundo o secretário. Ele incluiu a expansão do Pix, a atuação de bancos digitais e programas públicos de crédito como pilares da inclusão financeira que agora exigem maior atenção à qualidade para dar segurança aos usuários.

