Documentos desclassificados pelo governo espanhol nesta quarta-feira (9) revelam que o Centro Nacional de Inteligência (CNI) e a Guarda Civil alertaram, no dia 30 de julho, sobre a passividade das autoridades de Marrocos e a falta de efetivos na fronteira durante a entrada de milhares de migrantes em Ceuta.
Os relatórios apontam que não houve detecção de reação proativa por parte do governo marroquino no momento em que a cidade autônoma foi invadida. A análise foi conduzida pelos serviços de inteligência e pela força policial responsável pela segurança nas fronteiras.
Um e-mail enviado pela Jefatura de Información da Guarda Civil, órgão encarregado da inteligência e segurança pública, avaliou as possíveis causas para a mudança de comportamento de Marrocos. O texto menciona que a situação pode ter sido motivada por um fator surpresa ou por uma resposta a acontecimentos políticos recentes.
Entre os eventos citados no documento está a reunião do presidente do Governo de Espanha com representantes da Argélia. O relatório também indica que a atitude marroquina pode ter sido influenciada por uma decisão judicial espanhola.
A sentença do Tribunal Supremo, que proibiu as chamadas devoluções em quente de imigrantes que tentam entrar em Ceuta e Melilla nadando, é mencionada como um dos gatilhos para a falta de cooperação no controle da fronteira.


