O governo e o Poder Judiciário da Espanha entraram em conflito após a magistrada da Audiência Nacional, María Tardón, solicitar sigilo sobre um relatório policial. O documento detalha a entrada de 70 mil migrantes em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho, segundo informações enviadas à cúpula da polícia.
O comisário-geral de Extranjería y Fronteras da Polícia, Julián Ávila, informou aos superiores que a juíza solicitou a “máxima reserva” aos membros de sua equipe. O pedido ocorreu por meio de uma ligação telefônica, dez dias após a encomenda do relatório.
O ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska, declarou nesta quinta-feira ter ficado alheio à redação do texto. Ele afirmou que o conteúdo é de grande interesse para que o Executivo exerça suas funções constitucionais com maior acerto.
A presidente do Poder Judicial e a Sala de Governo da Audiência Nacional reagiram às queixas do governo. Ambas as instâncias defenderam a medida sob o argumento de preservar a independência da Justiça.
A disputa institucional ocorre enquanto a Polícia elaborava a análise técnica sobre o fluxo migratório ocorrido na cidade autônoma de Ceuta no final de julho.


