Representantes do governo e de setores econômicos discutiram, nesta quarta-feira (2), na Câmara dos Deputados, os impactos da Lei do Combustível do Futuro. Estimativas do Monitor Energia do Futuro indicam que cerca de R$ 200 bilhões já foram investidos ou estão em planejamento de aplicação para a substituição de combustíveis fósseis por alternativas sustentáveis.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, citou o caso de uma multinacional que assinou contrato para plantar 180 mil hectares de macaúba e implantar biorrefino de diesel verde e de combustível sustentável de aviação (SAF) em Mataripe, no Recôncavo Baiano, e no norte de Minas Gerais. Para o ministro, a iniciativa demonstra a eficácia da legislação.
O debate ocorreu em seminário da Comissão Especial sobre Transição Energética, coordenada pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP). O parlamentar afirmou que conflitos entre Irã e Estados Unidos no Estreito de Ormuz elevaram os preços de combustíveis fósseis, tornando a produção nacional de alternativas ainda mais relevante para o país.
Artur Watt Neto, diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), informou avanços na regulamentação dos combustíveis e em convênios de fiscalização. O diretor defendeu a aprovação do Projeto de Lei Complementar (PLP 109/25), que permitiria à ANP acessar dados fiscais para combater fraudes no setor.
Josiani Napolitano, presidente da Associação Brasileira do Biogás e do Biometano (Abiogas), apresentou a possibilidade de produção diária de 216 milhões de metros cúbicos de biogás e 120 milhões de metros cúbicos de biometano a partir de resíduos. Já André Nassar, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), previu que o mercado de biodiesel para usos rodoviário e aquaviário atinja 25 milhões de metros cúbicos em 2035.
O presidente da Bioenergia Brasil, Mario Campos, disse que a expansão do etanol fortalece a agroindústria nacional. Segundo Campos, o Brasil sinaliza ao mercado global que consegue realizar a transição energética utilizando capacidade produtiva interna. A produção de SAF pode chegar a 2 milhões de metros cúbicos até 2035, a depender da demanda em voos nacionais e internacionais.


