O governo federal brasileiro gastou mais de R$ 1 trilhão em juros da dívida pública em 2025, montante que representa 8,35% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo dados do Tesouro Nacional, a dívida consolidada encerrou aquele ano em R$ 8,635 trilhões, registrando alta de aproximadamente R$ 1 trilhão em comparação a 2024.
Os rendimentos dos títulos públicos de longo prazo chegaram a cerca de 14% ao ano em 2026. O mercado associa esses patamares a incertezas e baixa confiança no horizonte econômico do país. Os juros nominais pagos pelo setor público somaram R$ 1,08 trilhão nos 12 meses encerrados em março de 2026, um acréscimo de R$ 145 bilhões em relação ao período anterior, informou Otávio Fakhoury, especialista em renda fixa.
Fakhoury explicou que taxas elevadas ocorrem quando investidores enxergam maior risco e falta de confiança no futuro econômico. Essa dinâmica impacta a capacidade de investimento do Estado. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresceu 2,9% em 2025, impulsionada por construção civil, software, máquinas e equipamentos.
A taxa total de investimento permaneceu em 16,8% do PIB, índice inferior aos 25% a 30% registrados em economias asiáticas em desenvolvimento. O cenário gera o efeito de desapropriação, conhecido como crowding out, que reduz estímulos a projetos produtivos e inovação devido à atratividade de aplicações financeiras de baixo risco.
A distorção também afeta a avaliação de empresas, pois juros altos diminuem o valor presente dos fluxos de caixa futuros. O processo cria um ciclo onde o custo da dívida eleva a percepção de risco, provocando novos aumentos nas taxas exigidas por investidores, o que encarece o crédito e desacelera projetos de infraestrutura.


