O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva monitora possíveis impactos da crise no Supremo Tribunal Federal (STF) nas relações diplomáticas com os Estados Unidos. Auxiliares do presidente informaram que membros da oposição levaram ao Departamento de Estado informações sobre casos envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça.
A gestão federal trabalha com a possibilidade de que novas revelações e atos do ministro Alexandre de Moraes cheguem ao governo americano. O magistrado já foi alvo da Lei Magnitsky e é criticado por integrantes da administração de Donald Trump.
Auxiliares de Lula calculam que quadros da oposição com trânsito nos EUA podem pressionar por sanções contra autoridades brasileiras. Interlocutores afirmam que existe no Tesouro americano uma minuta de novas sanções, na qual o nome de Moraes teria sido reincluído recentemente. A movimentação ocorreu após o ministro expedir mandado de justiça contra a fonte de um jornalista no Maranhão.
A diplomacia brasileira considera menos provável a adoção de medidas tarifárias ou financeiras imediatas. O uso da Lei Magnitsky é tratado como uma possibilidade prematura. Em Brasília, a expectativa é que os Estados Unidos avaliem o impacto de qualquer medida sobre as eleições do país.
O entorno do presidente tem utilizado possíveis atos hostis dos americanos para reforçar o discurso de defesa da soberania nacional. As tensões entre os dois países haviam diminuído após um telefonema entre Lula e Donald Trump, momento em que foram retomadas negociações tarifárias.


