Um grupo de 98 empresários, tributaristas, advogados, economistas e políticos enviou, nesta quarta-feira (9), uma carta-manifesto aos candidatos à Presidência nas eleições de 2026. O documento defende a continuidade da implementação da reforma tributária do consumo, sob o argumento de que a interrupção do processo geraria insegurança jurídica para empresas, União, estados e municípios.
Os signatários afirmam que eventuais divergências sobre o novo modelo não devem justificar a reabertura da discussão ou a interrupção da efetivação das medidas. O texto sustenta que, embora existam custos de transição, os efeitos de longo prazo são positivos e que o aperfeiçoamento do sistema pode ocorrer durante a própria implementação.
Entre os nomes que assinam a carta estão os empresários Jorge Gerdau Johannpeter e Josué Gomes da Silva, além dos economistas Arminio Fraga e Zeina Latif. O documento também conta com a assinatura de ex-ministros como Mailson da Nóbrega e Martus Tavares, além do ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia, e do ex-secretário extraordinário da reforma, Bernard Appy.
A iniciativa surgiu após candidatos passarem a defender a revogação da reforma ou o adiamento de prazos. O senador Flávio Bolsonaro (PL) classificou o texto aprovado pelo Congresso como uma loucura e defendeu a suspensão da medida em maio, citando o aumento da carga tributária para o setor de serviços. Sua assessora econômica, Daniella Marques, também defendeu a pausa para reestruturação do texto.
Outros presidenciáveis também manifestaram críticas. O candidato Augusto Cury (Avante) defende a revisão de pontos da reforma, enquanto o ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), defende que as medidas sejam profundamente modificadas. Já o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), propõe em seu plano de governo a ausência de complexidades no texto, o que mantém aberta a possibilidade de reversão.
Isaías Coelho, pesquisador do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito SP e um dos organizadores do movimento, disse que há ruídos e pânico injustificado em torno do tema. Segundo Coelho, os presidenciáveis concordaram em examinar o assunto e o saldo da reforma é positivo ao substituir tributos como PIS, Cofins e ICMS.


