Um grupo de hackers vazou, nesta sexta-feira (4), cerca de 1,4 milhão de arquivos do governo estadual de Berlim na deepweb. A divulgação ocorreu após as autoridades alemãs recusarem o pagamento de 2 milhões de euros (R$ 12 milhões) exigidos pelos criminosos para impedir a exposição dos dados.
O volume de dados, que soma mais de 5 terabytes, contém informações confidenciais de repartições e pessoas. Entre os documentos roubados estão listas de imóveis, empresas e instalações com proteção especial em caso de ameaça nacional, além de usinas que abastecem hospitais, depósitos de combustível e subestações elétricas.
Arquivos sobre empresas do setor de defesa consideradas vulneráveis e análises de vulnerabilidade da rede de água potável de Berlim também integram o pacote. A agência de notícias Deutsche Presse-Agentur (dpa) informou que o material inclui contracheques, processos de multas e documentos de comissões parlamentares.
A administração berlinense admitiu que dados pessoais de cidadãos, empresas e funcionários do estado podem ter sido expostos. Os criminosos, identificados como grupo Rhysida, alegaram ter roubado logins e senhas de bancos de dados administrativos e de processamento de pagamentos.
O ataque foi detectado em 14 de agosto, quando várias repartições ficaram isoladas da rede por uma semana. Segundo o grupo Rhysida, o acesso às redes das secretarias estaduais de Obras e Transporte ocorreu entre os dias 7 e 12 de agosto. Desde o dia 28, os dados eram oferecidos em leilão na darknet.
A porta-voz de Berlim, Christine Richter, afirmou que não há indícios de ligações com a Rússia, embora a possibilidade não possa ser descartada. O episódio acontece poucas semanas antes das eleições para o governo berlinense, marcadas para 20 de setembro. Agentes do Departamento Estadual de Polícia Criminal (LKA) e do Departamento Federal de Segurança da Informação (BSI) investigam o caso.
Especialistas em segurança de TI consideraram a recusa do governo em pagar o resgate acertada. Bianca Kastl, do Chaos Computer Club, disse que é necessário cortar a fonte de financiamento desses grupos. Christof Fischer, também especialista na área, observou que, por lei, o estado não tem permissão para efetuar pagamentos em resposta a chantagens.


