O candidato a governador de São Paulo, Fernando Haddad (PT), defendeu nesta segunda-feira (31) que a população brasileira seja consultada sobre a conveniência de manter o ecossistema das casas de apostas, as bets. Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, o ex-ministro também classificou como uma “questão menor” a decisão dos Estados Unidos de definir o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas.
Sobre a classificação feita pelo governo de Donald Trump, Haddad afirmou que o ponto central deve ser a forma de combater as facções, independentemente da nomenclatura utilizada. O petista diferenciou a organização criminosa do terrorismo, argumentando que este último exige a presença de uma ideologia e de um objetivo político.
Na área de segurança, a principal proposta do candidato é a criação de um gabinete sob sua presidência. A estrutura integraria as polícias estaduais, a Polícia Federal, o Ministério Público nas esferas federal e estadual, além de órgãos como a Receita Federal e o Coaf.
Haddad criticou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), questionando a postura do adversário diante de ações de Flávio e Eduardo Bolsonaro junto ao governo americano. O candidato alegou que os parlamentares negociaram a aplicação de tarifas contra São Paulo sem que houvesse manifestação contrária do atual governador.
Em relação à economia, o ex-ministro avaliou que a taxa de juros básica, atualmente em 14%, está em um patamar inadequado. Ele mencionou que o governo Lula enviou ao Congresso Nacional o orçamento de 2027 com previsão de superávit efetivo de R$ 18,6 bilhões, o que deve gerar impacto no mercado.
Sobre a gestão financeira de São Paulo, Haddad afirmou que a situação das contas públicas do estado é a pior desde a década de 1990. Ele justificou a demora do Ministério da Fazenda na liberação de empréstimos para o estado devido ao alto nível de endividamento da unidade federativa.
Questionado sobre a sucessão presidencial em 2030, Haddad evitou se colocar como alternativa. Ele definiu que o processo será complexo, pois não surgirá um líder como o atual presidente, embora tenha afirmado que novos quadros do PT deverão surgir.


