O candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), alterou a estratégia de campanha para reforçar o discurso de soberania nacional e criticar a influência dos Estados Unidos. A mudança ocorre após a pesquisa Quaest indicar empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em simulações de segundo turno, ambos com 41% das intenções de voto.
Em propaganda eleitoral e entrevistas, Haddad passou a criticar as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump sobre exportações brasileiras. O candidato comparou a situação atual a processos coloniais, afirmando que pessoas internas estariam se vendendo a interesses estrangeiros. A nova fase da campanha também substituiu temas locais, como saúde e educação, por pautas nacionais e imagens com cores mais claras.
O ex-ministro da Fazenda também intensificou ataques ao senador Flávio Bolsonaro ao mencionar o caso do Banco Master. Em entrevista à rádio Novabrasil nesta terça-feira (8), Haddad alegou que o banqueiro Daniel Vorcaro, preso pela Polícia Federal, seria solto caso Flávio Bolsonaro fosse eleito. O candidato afirmou que haveria um acordo sobre R$ 40 bilhões que estariam em fundos geridos por laranjas fora do Brasil.
Haddad questiona a gestão de Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, por ter autorizado a aquisição da instituição financeira por Vorcaro em 2019. O petista também buscou diferenciar a relação de Lula com o Supremo Tribunal Federal (STF) da de Bolsonaro, alegando que o presidente mantém vínculos institucionais com a Corte, enquanto o ex-presidente teria se relacionado com milícias do Rio de Janeiro.
No campo oposto, Flávio Bolsonaro realizou ato na Avenida Paulista na segunda-feira (7), onde declarou que votar em Lula seria equivalente a votar no ministro Alexandre de Moraes. O evento contou com a presença do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que cobrou resposta institucional do STF sobre investigações contra membros da Corte. Tarcísio lidera as pesquisas para o governo estadual com 13 pontos percentuais de vantagem sobre Haddad, segundo dados de 25 de agosto.


