Um paciente de 64 anos com adenocarcinoma de reto inferior está sem acesso ao medicamento capecitabina no Hospital Municipal Cardoso Fontes, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio. A família afirma que a falta do fármaco compromete a quimiorradioterapia neoadjuvante e que a Ouvidoria da Secretaria de Estado de Saúde respondeu ao pedido de ajuda citando atendimento odontológico.
O relatório médico da própria unidade de saúde registra que o hospital não dispunha da capecitabina para fornecimento ou administração, o que impossibilitava a realização adequada do tratamento. O documento solicita a transferência prioritária do paciente para um serviço de oncologia clínica e radioterapia, como o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Segundo a neta do paciente, Yasmin Pereira da Silva, a família foi avisada sobre a falta do remédio no dia 21 de agosto. Ela afirma que, diante da ausência do medicamento, o hospital adotou outra estratégia: no dia 26 de agosto, o paciente recebeu quimioterapia intravenosa com outro fármaco após a colocação de um cateter. A família considera a troca uma alternativa improvisada, e não o esquema previsto no relatório.
Os familiares relatam dificuldades para viabilizar a transferência. Segundo eles, o Hospital Cardoso Fontes orientou que o pedido fosse levado à Clínica da Família Recanto do Trovador, mas a unidade informou que a solicitação deveria partir do próprio hospital. Ao retornar à unidade municipal, a família foi instruída a procurar a clínica novamente, sob a justificativa de que o encaminhamento deveria ocorrer via SER, e não pelo SISREG.
Ao registrar a manifestação na Ouvidoria da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), a família recebeu um documento que não mencionava a falta do remédio ou a transferência. A resposta oficial informou que o paciente teria sido atendido inicialmente por uma emergência odontológica e que exames pré-operatórios foram solicitados em 10 de agosto.
O paciente tem consulta de radioterapia marcada para 10 de setembro, oncologia no dia 11 e nova sessão de quimioterapia prevista para 14 de setembro. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) do Rio informou que está apurando o caso. A SES-RJ foi questionada sobre o equívoco na resposta da Ouvidoria.


