A expansão da inteligência artificial (IA) generativa elevou a demanda global por semicondutores e pressionou a infraestrutura elétrica de data centers. O crescimento da capacidade computacional provocou alta nos preços de chips de memória e exige a adoção de novos sistemas de refrigeração líquida para suportar a densidade de potência dos equipamentos.
Os preços de chips de memória subiram até 98% no primeiro trimestre de 2026, segundo a imprensa internacional. Fabricantes de semicondutores têm priorizado contratos com empresas de infraestrutura de IA, o que reduziu a oferta de componentes para outros setores da tecnologia.
A Agência Internacional de Energia (IEA) informou que o consumo adicional de 465 TWh por ano equivale a cerca de 70% de toda a eletricidade consumida pelo Brasil em 2025. A projeção indica que, em 2030, os data centers mundiais consumirão 1,42 vez o volume de energia utilizado pelo Brasil no mesmo ano base.
A mudança na tecnologia altera a infraestrutura física. Como os clusters de IA concentram mais potência em poucos racks, a refrigeração por ar tornou-se insuficiente. Isso acelera a migração para o liquid cooling, especialmente o sistema direct-to-chip cooling.
Jorge Moreno, diretor de Novos Negócios da Tecnogera, afirmou que os projetos agora precisam considerar fornecimento, distribuição de energia e refrigeração desde as etapas iniciais. Segundo Moreno, o desenvolvimento da tecnologia envolve a criação de uma infraestrutura energética capaz de acompanhar a evolução computacional.
A IEA aponta que a construção da rede energética necessária pode levar mais tempo do que a operação de um data center, que leva de dois a três anos para ficar pronto. O consumo de eletricidade dos servidores acelerados deve crescer 30% ao ano até 2030, respondendo por quase metade do aumento líquido da demanda do setor.


