O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) autorizou a Petrobras a perfurar três novos poços exploratórios na Bacia da Foz do Amazonas, no Amapá. A decisão, assinada nesta quinta-feira (3), visa determinar se a recente descoberta de petróleo em águas ultraprofundas da região é comercialmente viável.
A autorização foi assinada por Jair Schmitt, diretor-geral do Ibama. O documento estabelece que a estatal deve apresentar um cronograma de perfuração atualizado em até 30 dias após o recebimento da licença. Para manter a validade do documento, a Petrobras precisará atualizar a análise de riscos ambientais do projeto.
A área integra a Margem Equatorial, considerada pela companhia como sua fronteira de exploração mais promissora. Geologicamente, a Bacia da Foz do Amazonas é semelhante a blocos na Guiana, onde a ExxonMobil desenvolve campos de petróleo. Caso a viabilidade comercial seja confirmada, a produção poderia começar em sete anos, informou a presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
O projeto gera debate interno no governo federal, contrapondo a necessidade de a empresa reabastecer suas reservas às preocupações com a preservação da costa amazônica. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a descoberta de petróleo na região, ocorrida no mês passado, como um passaporte para o futuro do país.
A exploração ocorre em região sensível, onde houve vazamento de fluido durante a perfuração do primeiro poço no início deste ano. O incidente aumentou a preocupação de povos indígenas sobre os impactos de uma expansão petrolífera em um estado com extensas áreas de floresta amazônica preservada.


