O Ibovespa fechou nesta quarta-feira (2) com alta de 3,05%, aos 185.205 pontos, acumulando a 11ª sessão consecutiva de valorização. O resultado representa o maior fechamento do índice desde o início de maio e coloca a Bolsa brasileira a cerca de 8% da marca de 200 mil pontos.
A recuperação soma aproximadamente 12% desde que o índice operava na região dos 164.835 pontos. O movimento é acompanhado por fatores favoráveis, como a redução da pressão vendedora de investidores estrangeiros e a queda do dólar, que atingiu R$ 5,109 nesta quarta-feira, além do recuo dos juros futuros.
A volatilidade recente foi influenciada por dados políticos. Uma pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira indicou empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro em eventual segundo turno. Segundo André Moraes, chairman da BFR Investimentos, a alta da Bolsa tem motivação predominantemente política, pois o mercado interpreta a disputa equilibrada como possibilidade de mudança na condução fiscal a partir de 2027.
No cenário externo, o economista Rafael Perretti, da Clear, afirma que dados fracos do mercado de trabalho americano podem reduzir a pressão por novos aumentos de juros pelo Federal Reserve. Esse quadro aumenta a atratividade de mercados emergentes, favorecendo a entrada de recursos no Brasil, embora o endividamento público continue sendo um ponto de atenção para o capital estrangeiro.
Do lado técnico, o Ibovespa recuperou as médias móveis de 9 e 21 períodos no gráfico semanal. A primeira barreira de resistência está na região de 188.790 pontos. Caso seja superada, a referência passa a ser a máxima histórica de 199.354 pontos, atingida em abril, para que o índice retome a trajetória de recordes.
A sequência de 11 altas consecutivas, porém, acende um alerta para possíveis correções. O Índice de Força Relativa (IFR) mensal atingiu 70,04 pontos, entrando em zona de sobrecompra. Analistas indicam que isso pode gerar períodos de descanso ou realização de lucros antes de novas subidas.


