O iene se valorizou 1,2%, atingindo 158,22 por dólar durante a sessão de negociações em Nova York nesta quarta-feira (2), provocando alerta entre operadores sobre possíveis novas medidas das autoridades japonesas para apoiar a moeda. O movimento ocorreu em meio a especulações sobre consultas cambiais e declarações do Banco do Japão.
Hajime Takata, membro do conselho do Banco do Japão (BoJ), sinalizou a possibilidade de uma elevação mais agressiva e consecutiva dos juros. O cenário reforça a percepção de que a instituição pode agir com rigor na reunião de setembro, especialmente diante dos riscos de inflação citados anteriormente pelo presidente do banco, Kazuo Ueda.
A oscilação repercutiu no mercado global de câmbio. O Bloomberg Dollar Spot Index recuou 0,3%, a maior queda intradiária desde 21 de agosto, enquanto o iene também avançou mais de 1% frente ao euro. Operadores monitoram se houve contato de autoridades com bancos para verificar cotações, prática comum antes de intervenções diretas.
Estrategistas divergem sobre a natureza da alta. Howard Du, da TD Securities, disse ser cético quanto a uma intervenção devido à magnitude da valorização, que foi menor que em episódios anteriores. Já Ben Ford, da Macro Hive, afirmou que a rapidez do movimento se assemelha a uma consulta cambial, sugerindo que o Japão pode ter mudado a estratégia para agir sem sinalizações prévias.
O Ministério das Finanças informou que o Japão gastou US$ 96,4 bilhões no último mês para sustentar a moeda, que havia atingido o menor nível em 40 anos. A pressão cambial é atribuída à diferença de juros entre o Japão e outras economias, além de incertezas fiscais sob o governo da primeira-ministra Sanae Takaichi.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, classificou os movimentos recentes como relativamente contidos. Bessent defendeu o apoio à moeda japonesa, argumentando que a volatilidade excessiva do iene poderia pressionar a alta dos juros nos Estados Unidos.


