Veículos de imprensa internacional repercutiram mensagens trocadas entre o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. Os registros, que fazem parte de uma investigação da Polícia Federal (PF), indicam 187 interações entre o banqueiro e o magistrado.
As mensagens revelam que Vorcaro teria pedido a Moraes interferência em seu favor junto ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Em um dos registros, enviado dois dias antes de sua prisão, o empresário questionou se deveria estar fora do país na segunda-feira seguinte.
O jornal argentino La Nación descreveu o episódio como um terremoto político e institucional, classificando Moraes como o juiz mais poderoso do Brasil. O espanhol El País definiu o caso como um escândalo, mencionando que as revelações surgem a menos de cinco semanas das eleições e citando um contrato entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
A agência Bloomberg informou que os documentos colocam o magistrado novamente no centro de discussões sobre a credibilidade do STF. Segundo o veículo, o conteúdo levou opositores de Moraes a renovar pedidos para que ele seja afastado da Corte. As reportagens estrangeiras também associaram o caso ao julgamento de Jair Bolsonaro e aos conflitos com Elon Musk.
O ministro André Mendonça, que retirou o sigilo do material, defende a abertura de uma investigação contra Moraes e que o caso seja analisado pelo plenário do Supremo. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, considerou nulo o pedido de Mendonça para a abertura da apuração.
O presidente do STF, Edson Fachin, decidirá se o relatório sobre o caso do Banco Master será levado ao plenário da Corte.


