Inundações catastróficas na fronteira entre o Nepal e o Tibet deixaram mais de 1.000 mortos e resultaram no desaparecimento de outras 4.000 pessoas. O desastre, ocorrido no dia 28 de agosto, foi provocado por um deslizamento de terra que derrubou uma geleira, levando rochas e água para vilas situadas rio abaixo.
Maheshwar Dhakal, chefe de mudanças climáticas no Ministério da Agricultura, Florestas e Meio Ambiente do Nepal, atribuiu as enchentes ao aquecimento global. O ministro das Relações Exteriores, Shisir Khanal, pediu que a comunidade internacional preserve o ecossistema do Himalaia e trate as mudanças climáticas como um dos principais desafios enfrentados pelos cidadãos nepaleses.
A região do Himalaia aquece quase duas vezes mais rápido que a média global. Segundo Göran Ekström, professor de ciências da terra e ambientais da Universidade Columbia, o aquecimento acelera processos erosivos e a instabilidade do terreno, já que as geleiras, que antes estabilizavam a paisagem, estão desaparecendo.
O impacto humano foi agravado pela expansão econômica em cidades e vilas às margens dos rios. Rajiv Ghimire, professor da Universidade de Michigan, explicou que o crescimento do turismo e a construção de usinas hidrelétricas aumentaram a população em vales íngremes, tornando áreas historicamente propensas a enchentes muito mais vulneráveis.
A falta de sistemas de alerta precoce dificultou as evacuações. Mathias Vuille, professor da Universidade Albany, SUNY, comparou a situação com um colapso de geleira na Suíça no ano passado, onde apenas uma pessoa morreu devido à existência de avisos eficientes. A ONU alertou que milhões de pessoas na região do Himalaia correm riscos severos de futuras inundações glaciais.
O Nepal produz menos de 0,1% das emissões globais de gases de efeito estufa, mas figura entre as nações mais vulneráveis do mundo. O país já registrou desastres semelhantes em 2012 e 2017, além de um terremoto em 2015 que matou quase 9.000 pessoas e causou mais de 20.000 deslizamentos em 14 distritos.


