Inundações provocadas pelo colapso de um glaciar no norte do Nepal deixaram ao menos 1.050 mortos, 292 feridos e 3.916 desaparecidos, segundo a Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do país. O desastre, ocorrido na última semana, atingiu os distritos de Rasuwa e Nuwakot, afetando mais de 90 mil pessoas.
A tragédia foi desencadeada pelo desprendimento de gelo do pico da montanha Langtang Lirung. O impacto no solo do vale gerou um choque de magnitude 5,2, enviando uma massa de rochas, gelo, lama e água pelo vale do rio Bhotekoshi-Trishuli. Em Rasuwa, o nível do rio subiu nove metros em apenas 30 minutos.
Monitores chineses registraram um intervalo de seis a sete minutos entre o colapso do glaciar e a chegada da onda ao Porto de Gyirong, na fronteira entre Nepal e China. Entre os desaparecidos, cerca de 600 são estrangeiros de 39 países diferentes.
O governo nepalês e o Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas (ICIMOD) identificaram 21 lagos glaciais nos bacias de Koshi, Gandaki e Karnali como potencialmente perigosos. Dados do ICIMOD indicam que os glaciares do Hindu Kush Himalaya estão perdendo gelo no dobro da taxa registrada antes do ano 2000.
O ministro das Finanças, Swarnim Wagle, estima que a reconstrução das áreas afetadas custará entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões. O valor representa quase um décimo da economia do país, que possui um orçamento nacional anual de aproximadamente US$ 14 bilhões.
Eventos extremos têm se tornado frequentes na região. Em agosto de 2024, um lago glacial rompeu próximo ao Monte Everest, destruindo casas e escolas na vila de Thame. Já em julho de 2025, outra inundação derrubou a Ponte da Amizade, que conecta o Nepal à China.


