O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,32% em agosto, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (11). O resultado reverte a alta de 0,07% registrada em julho, enquanto a inflação acumulada em 12 meses subiu 4,22%.
A energia elétrica residencial foi o principal fator de baixa, com recuo de 7,63% no mês. O item sozinho causou um impacto negativo de 0,33 ponto percentual na variação geral do índice. Com isso, o grupo de preços de Habitação caiu 1,87%, o menor índice para um mês de agosto desde a implementação do Plano Real.
A redução ocorreu após a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovar a distribuição de R$ 872 milhões do Bônus de Itaipu de 2025. O valor é creditado na conta de luz de consumidores que registraram ao menos um mês com consumo inferior a 350 quilowatts-hora (kWh) em 2025.
O IBGE indica que o efeito do crédito é temporário e as tarifas devem voltar ao valor normal no próximo mês. No acumulado do ano, o IPCA apresenta alta de 3,11%, mantendo-se dentro do teto da meta do Banco Central (BC), que é de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
Especialistas apontam que o alívio de agosto pode não alterar as perspectivas inflacionárias. Os principais riscos citados são o ritmo de reajustes em serviços e a alta de alimentos afetados pelo fenômeno El Niño, além da volatilidade do petróleo, que fechou a US$ 107,63 devido a impasses no Oriente Médio.
O cenário de mercado de trabalho aquecido e medidas governamentais de estímulo à demanda mantêm a atenção da autoridade monetária. Desde março, o BC realiza cortes cautelosos na taxa Selic, que atualmente está em 14% ao ano.

