O presidente argentino, Javier Milei, registrou queda nas menções em redes sociais para 3,7 milhões em junho, volume 72% inferior ao pico de 12,6 milhões ocorrido em fevereiro de 2025. Os dados, divulgados pela consultora Ad Hoc, indicam desgaste da estratégia digital do mandatário em ano que antecede sua busca pela reeleição.
Interações como curtidas e reposts nas publicações de Milei no X diminuíram 62% desde que ele assumiu a Presidência. Segundo Kevin Grunbaum, diretor digital da Ad Hoc, a perda de protagonismo é um sinal negativo e sintoma do desgaste observado na opinião pública. O declínio coincide com a estagnação de avanços econômicos e obstáculos na agenda legislativa.
A consultoria aponta que um ponto de inflexão ocorreu em fevereiro de 2025, após o presidente promover uma memecoin que despencou de valor horas depois. Desde então, a conversa digital sobre o governo passou a ser dominada por fatos externos, reduzindo a capacidade de Milei em pautar a agenda política nas plataformas.
A estrutura digital do governo enfrenta crises internas e judiciais. Fernando Cerimedo, responsável pela campanha de 2023, foi preso na Bolívia no mês passado por suposta tentativa de feminicídio. Já o ex-porta-voz Manuel Adorni renunciou em junho sob acusações de enriquecimento ilícito. Recentemente, a embaixada chinesa criticou Juan Pablo Carreira, diretor de Comunicação Digital, por especulações sobre o colapso de uma geleira.
O cenário de fragmentação inclui críticas abertas de influenciadores libertários, como Daniel Parisini, contra a administração. Sergio Berensztein, diretor de consultoria política, afirmou que a militância digital perdeu a autoridade moral para promover agendas agressivas devido ao acúmulo de escândalos e à desaceleração econômica.
Apesar da queda, Lucas Malaspina, diretor da Sustantiva, informou que o núcleo de apoio do governo permanece sólido. Internamente, fontes indicam que o assessor Santiago Caputo e a irmã do presidente, Karina Milei, disputam o controle da estratégia digital. O gabinete de imprensa do presidente não comentou as informações.


