O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, contatou diretamente comandantes militares no Oriente Médio, Europa e Ásia para obter avaliações sem filtros sobre a guerra com o Irã. A medida, ocorrida entre a primavera e o verão do Hemisfério Norte, visava colher análises individuais antes da consolidação de posições oficiais do Pentágono.
As conversas abordaram objetivos, táticas, estimativas de baixas e a capacidade de adaptação das forças iranianas. Vance solicitou levantamentos sobre estoques militares e o impacto do envio de armas ao Oriente Médio na capacidade de dissuadir China, Rússia e Coreia do Norte. Segundo a apuração, os comandantes alertaram que os níveis de armamentos estratégicos eram os mais baixos já registrados.
A principal preocupação recai sobre a redução dos interceptadores Patriot, essenciais para a defesa aérea. No final da primavera, uma das regiões sob comando militar dos EUA possuía menos de 100 unidades disponíveis. Houve também consumo expressivo de mísseis Army Tactical Missile Systems (ATACMS) e de Precision Strike Missiles.
As avaliações indicaram que o governo iraniano está disposto a suportar níveis extraordinários de sofrimento para sobreviver, evidenciando a limitada capacidade americana de responder a ataques retaliatórios. Vance levou essas preocupações a Donald Trump e ao seu círculo próximo, enquanto o general Dan Caine, presidente do Estado-Maior Conjunto, também alertava o presidente sobre a pressão nos estoques.
O cenário privado diverge do discurso público da Casa Branca. Trump afirma que os Estados Unidos venceram a guerra, que as forças iranianas foram destruídas e que não há problemas de abastecimento. Em resposta a reportagens sobre a falta de mísseis, o governo submeteu dezenas de oficiais do Pentágono a testes de polígrafo.
As ligações de Vance ocorreram com o conhecimento de Trump, do secretário de Defesa, Pete Hegseth, do secretário de Estado, Marco Rubio, e da chefe de gabinete, Susie Wiles. O vice-presidente, que se opôs ao conflito desde o início, tornou-se o rosto dos esforços diplomáticos, embora negociações encerradas em agosto não tenham resultado em acordo definitivo.
Desde abril, Trump autorizou Vance, Jared Kushner e Steve Witkoff a buscar uma fórmula para encerrar a guerra, mesmo que o regime iraniano permaneça no poder. O conflito superou a previsão inicial de seis semanas do Pentágono, levando a Casa Branca a admitir a falta de compreensão clara sobre o impacto dos ataques na estratégia de Teerã.


