O empresário Joesley Batista, um dos controladores da JBS, reuniu-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no dia 20 de agosto, no Salão Oval da Casa Branca. O encontro, revelado pela imprensa internacional, tratou da escalada de preços da carne bovina nos EUA e da flexibilização de tarifas de importação do produto brasileiro.
Durante a reunião, Batista propôs a eliminação da tarifa de 25% cobrada sobre a carne brasileira para mitigar a inflação de alimentos. Segundo a apuração, a medida permitiria à JBS expandir sua participação no mercado americano, onde a companhia já obtém cerca de 50% de sua receita total.
No dia seguinte ao encontro, Trump anunciou um plano emergencial para permitir a entrada temporária de 300 mil toneladas adicionais de carne bovina estrangeira por 90 dias, sem sobretaxa. O governo americano determinou que esses produtos sejam vendidos no mercado interno com desconto de 25% em relação aos preços vigentes.
As exportações de carne bovina do Brasil para os EUA somaram US$ 1,5 bilhão nos primeiros seis meses deste ano, alta de 10% comparada ao mesmo período anterior. No mesmo dia do anúncio do plano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversou por telefone com Trump durante 80 minutos sobre tarifas e geopolítica.
A proximidade entre a JBS e a Casa Branca inclui vínculos financeiros, como a contribuição de US$ 5 milhões feita pela Pilgrim’s Pride, controlada pelo grupo, para a posse de Trump. Paralelamente, o Departamento de Justiça dos EUA investiga a JBS e outras três processadoras por supostas práticas anticompetitivas.
A decisão de Trump causou reação negativa na National Cattlemen’s Beef Association, que afirma que a entrada subsidiada de carne estrangeira prejudica produtores locais. Parlamentares republicanos de distritos rurais também se opuseram ao plano por temerem a concorrência direta com o produto importado.


