Um juiz federal da Argentina acusou formalmente, nesta terça-feira (1º), duas ex-funcionárias de órgãos de controle de medicamentos por participação no caso do fentanil contaminado. O opioide circulou em hospitais em 2025 e foi vinculado à morte de 90 pessoas e a 44 pacientes lesionados.
As processadas são Nélida Bisio, de 71 anos, que dirigia a Administração Nacional de Medicamentos, Alimentos e Tecnologia Médica (Anmat), e Gabriela Mantecón Fumadó, de 56 anos, ex-titular do instituto de medicamentos dependente da Anmat. O juiz Ernesto Kreplak definiu as ex-gestoras como “partícipes necessárias” na adulteração do fármaco.
Segundo a decisão judicial, as servidoras sabiam de irregularidades significativas na HLB Pharma e nos Laboratórios Ramallo, empresas responsáveis pela fabricação e comercialização do medicamento. Kreplak afirmou que elas decidiram não adotar as medidas regulamentares obrigatórias, permitindo a venda do fentanil adulterado.
A tragédia sanitária foi detectada em maio de 2024, quando um hospital em La Plata, a 50 km de Buenos Aires, identificou bactérias em ampolas de fentanil e em pacientes infectados. O caso é considerado pela imprensa local como a crise sanitária mais grave dos últimos 100 anos no país, superada apenas pela pandemia de covid-19.
Treze empresários e responsáveis pelos laboratórios envolvidos já foram processados. Com a nova decisão, a investigação atinge, pela primeira vez, autoridades encarregadas da vigilância e controle de produtos medicinais. Mantecón Fumadó deixou o cargo em agosto de 2025 e Bisio permaneceu na função até janeiro de 2026.
O magistrado determinou o embargo de 500 bilhões de pesos (cerca de R$ 1,7 bilhão) para cada uma das acusadas. Ambas devem permanecer em liberdade enquanto o processo avança. O fentanil é um opioide entre 50 e 100 vezes mais potente que a morfina, conforme dados da Organização Mundial da Saúde.


