O Tribunal de Falências do Sul da Flórida, em Fort Lauderdale, prevê a realização de depoimentos em outubro dentro da investigação sobre o Banco Master. As oitivas integram a fase de produção de provas para rastrear ativos, contas bancárias e imóveis ligados a Daniel Vorcaro, familiares e pessoas próximas ao antigo controlador.
A etapa atual, chamada de discovery, substitui a fase anterior baseada em pedidos de documentos e intimações a bancos e imobiliárias. Agora, pessoas relacionadas às operações poderão ser questionadas sob juramento sobre transações e movimentações específicas.
Uma das frentes principais apura o destino de US$ 531 milhões enviados pelo Banco Master, na época chamado Banco Máxima, para a One World Services (OWS) entre 2018 e 2021. O liquidante brasileiro tenta reconstruir o caminho dos recursos para identificar beneficiários e a possibilidade de recuperação dos valores.
A apuração envolveu instituições como Bradesco, Banco Safra, Royal Business Bank e Northern Trust. A fabricante de jatos Gulfstream Aerospace também foi acionada para fornecer dados sobre a venda de uma aeronave associada a Vorcaro, avaliada em cerca de R$ 538 milhões.
Daniel Vorcaro tentou limitar as diligências na Justiça americana por meio de seus advogados. Embora parte dos pedidos tenha sido restringida, a maioria das investigações continuou autorizada. Ações separadas também correm contra a empresa Sozo Real Estate, Henrique Vorcaro e Natalia Vorcaro Zettel por disputas imobiliárias.
A Justiça dos Estados Unidos não abriu nova liquidação, mas reconheceu o processo iniciado no Brasil, permitindo que o liquidante use ferramentas judiciais locais para localizar patrimônio. O reconhecimento da liquidação brasileira também foi estendido judicialmente às Ilhas Cayman.
Não há decisão final confirmando que os bens investigados pertencem ao Banco Master ou que houve desvio de valores. A investigação patrimonial segue em curso para determinar a localização e o montante dos ativos recuperáveis.

