A juíza federal Leonie Brinkema decidiu, nesta quarta-feira (2), que a Alphabet, controladora do Google, não precisará vender sua plataforma de intercâmbio de anúncios digitais. A decisão rejeita o pedido do Departamento de Justiça dos EUA e impõe mudanças comportamentais nas práticas da empresa para que suas ferramentas funcionem com as de concorrentes.
A decisão foi emitida sob sigilo, mas acompanhada de uma ordem resumida. Brinkema não detalhou quais serão as medidas comportamentais exigidas, informando que a versão pública do documento, com trechos editados, será divulgada ainda este mês.
O Departamento de Justiça dos EUA buscava forçar a venda da plataforma AdX e a divulgação da lógica usada para definir a exibição de anúncios em sites. A medida ocorreria após uma sentença de abril de 2025 ter concluído que a companhia monopolizou ilegalmente dois mercados de tecnologia de publicidade digital.
O sistema do Google conecta publishers que vendem espaços a anunciantes que disputam esses locais via leilões. Reguladores alegam que o controle simultâneo do servidor de anúncios e da plataforma de leilão permitiu que a empresa favorecesse seus próprios sistemas.
As ações da Alphabet subiam menos de 1%, cotadas a US$ 337,76, às 10h30 de Nova York. O setor de publicidade digital global deve movimentar mais de US$ 919,6 bilhões, segundo a consultoria EMarketer.
O resultado repete a tendência de outro processo antitruste sobre buscas online, no qual a empresa evitou a venda do navegador Chrome e concordou em compartilhar dados de resultados com rivais. O Departamento de Justiça ainda pode recorrer da decisão atual.
A Alphabet continua sob investigação de procuradores-gerais estaduais, reguladores europeus e autores de ações privadas devido às suas práticas no mercado de publicidade digital.


