O Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu, nesta quinta-feira (3), a demissão do delegado da Polícia Civil Carlos Alberto da Cunha. A decisão, publicada às 15h43, ocorreu poucas horas após o governo estadual oficializar a exoneração do policial no Diário Oficial sob a justificativa de interesse do serviço público.
Da Cunha havia solicitado a suspensão da exclusão dos quadros da corporação no dia 31 de agosto. Embora o Tribunal tenha negado o pedido inicialmente, a corte reconsiderou a posição nesta quinta-feira.
O desembargador Álvaro Torres Júnior afirmou que as informações apresentadas pela defesa recomendam a preservação do estado atual para evitar que o ato administrativo seja consumado antes de uma análise aprofundada da controvérsia. O governo estadual está proibido de formalizar ou executar a penalidade até que haja nova decisão judicial.
O processo que resultou na tentativa de demissão refere-se a um sequestro ocorrido em julho de 2020. Na ocasião, criminosos levaram um homem para um chamado tribunal do crime na favela da Nhocuné, zona leste de São Paulo.
Segundo depoimentos da vítima e de policiais, dois agentes haviam localizado o cativeiro e libertado o refém. Da Cunha teria ordenado que a vítima fosse colocada novamente no imóvel, junto ao criminoso, para que a operação fosse reencenada para câmeras de uma equipe levada pelo próprio delegado.
Nas gravações, o policial aparece comandando a invasão do local como se fosse o responsável pelo resgate e pela prisão do suspeito. As imagens foram enviadas a emissoras de televisão e publicadas nas redes sociais do delegado, onde possuía milhões de seguidores.


