O ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta terça-feira (1) que deixará seu assento como deputado por Holborn e St. Pancras. O político trabalhista, que renunciou ao cargo de premiê em junho, afirmou que a decisão visa permitir sua concentração em assuntos internacionais, com foco em defesa, segurança, comércio e tecnologia.
Uma eleição suplementar será realizada em breve para preencher a vaga na circunscrição londrina. Starmer atuou como representante da região por 11 anos, em área considerada reduto do Partido Trabalhista.
Ele assumiu a liderança do governo em julho de 2024, após vitória expressiva nas eleições gerais que encerraram 14 anos de gestão conservadora. Starmer renunciou ao cargo de primeiro-ministro em 22 de junho, após enfrentar queda de popularidade interna e derrotas em pleitos locais.
A trajetória do ex-premiê foi marcada por tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O atrito cresceu após Starmer se recusar a apoiar integralmente ataques americanos e israelenses contra o Irã, o que levou Trump a classificar a hesitação britânica como inédita entre as duas nações.
No plano interno, a gestão foi desgastada por polêmicas envolvendo Peter Mandelson, ex-embaixador no Reino Unido nos Estados Unidos. Mandelson foi nomeado por Starmer e tornou-se alvo de investigações por laços com o financista Jeffrey Epstein, condenado por crimes sexuais, chegando a ser detido por suspeita de má conduta pública.
O cenário político foi agravado por resultados negativos nas eleições regionais de maio de 2026 e pelo crescimento do Reform UK, legenda de direita liderada por Nigel Farage. Pressões internas no Partido Trabalhista e a percepção de lentidão na entrega de promessas econômicas culminaram na saída de Starmer da liderança da sigla.

