As companhias aéreas Latam e American Airlines estão impedindo o embarque de medicamentos de Cannabis em voos entre os Estados Unidos e o Brasil, apesar de autorizações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A medida afeta a importação de óleos e gomas utilizados no tratamento de Alzheimer, epilepsia refratária e dores crônicas.
A restrição ocorre em rotas diretas para os aeroportos de São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Um documento interno da Latam orienta funcionários a barrar produtos com teor de THC superior a 0,2%, abrindo exceção apenas para pacientes em condições clínicas irreversíveis ou terminais que não possuam outras alternativas terapêuticas.
Dois empresários do setor, sob anonimato, relataram que a medida começou em julho. Uma transportadora de medicamentos informou que 20 voos foram barrados entre junho e agosto, cada um com cerca de 20 mil unidades de produtos. Para viabilizar a entrega, a empresa passou a enviar as cargas via Portugal, o que dobrou o valor do frete.
Sandro Nogueira, diretor-geral da Memphis Logistics, afirmou que a alfândega americana aumentou a fiscalização sobre cargas de Cannabis destinadas ao Brasil, causando atrasos nos voos. Segundo Nogueira, as companhias aéreas estariam barrando os produtos para evitar transtornos operacionais.
O advogado regulatório Konstantin Gerber explicou que a mudança nas regras dos Estados Unidos, que passa a valer em novembro de 2026, altera o limite de THC para 0,4 mg. Segundo Gerber, as empresas aéreas estariam se antecipando a essa nova legislação.
A Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo declarou ter conhecimento das dificuldades enfrentadas por exportadores, mas afirmou que realiza importações diretas e não registrou impactos nos processos de aquisição. Atualmente, 774 pacientes estão cadastrados para receber esses medicamentos no estado, além de 1.478 pessoas com demandas judiciais ativas.
Em nota, a Latam Cargo negou qualquer alteração recente em seus procedimentos de importação e afirmou que cumpre as normas regulatórias e protocolos internos de segurança. A American Airlines não respondeu aos questionamentos.


