O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve tratar publicamente das mensagens que revelam a relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A estratégia, discutida por aliados da campanha, visa evitar que a crise no Judiciário prejudique a candidatura à reeleição.
A intenção é que o presidente adote a mesma postura utilizada em casos envolvendo seu filho, o empresário Fábio Luis Lula da Silva, defendendo a realização de investigações e o direito de defesa do magistrado. Auxiliares afirmam que Lula ficou “perplexo” com a forma e o conteúdo das mensagens e avaliou que a credibilidade abalada do Judiciário é prejudicial à democracia.
O relatório da Polícia Federal (PF) indica que Vorcaro buscou orientações de Moraes durante 13 dias para impedir a liquidação do banco e barrar investigações. Nas conversas, o banqueiro pedia a intervenção do ministro para “sensibilizar” autoridades e reverter a situação da instituição financeira.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu a nulidade do relatório da PF nesta terça-feira (1º). O procurador-geral Paulo Gonet afirmou que a ordem para apurar as comunicações excedeu a competência do magistrado responsável e que a lei exige autorização do plenário do STF para investigar integrantes da Corte.
No cenário político, a movimentação ocorre enquanto Flávio Bolsonaro (PL) defende a saída de Moraes do tribunal. Outros aliados de Lula, como Fernando Haddad, Simone Tebet e Gleisi Hoffmann, já declararam que tudo deve ser apurado, independentemente de quem esteja envolvido.
Lula e Moraes mantêm relação amistosa, embora tenham enfrentado um afastamento em abril após a derrota de Jorge Messias para uma vaga no STF. A reaproximação ocorreu recentemente, com o ministro intermediando o contato do presidente com o senador Davi Alcolumbre (União-AP) em um jantar em Brasília no dia 4 de agosto.


