O presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (9) para tratar da crise na Corte. O conflito foi agravado por decisões divergentes sobre a permanência de Andrei Rodrigues na direção-geral da Polícia Federal (PF), gerando tensão entre os magistrados André Mendonça e Alexandre de Moraes.
Lula compartilhou com ministros a percepção de que o presidente do STF, Edson Fachin, deve assumir a condução do conflito interno. Segundo interlocutores, o presidente avalia que Fachin pode perder força política se demorar a decidir a questão. O embate teve novos desdobramentos nesta quarta, quando o ministro Flávio Dino determinou o retorno de Andrei ao cargo, após o ministro André Mendonça ter afastado o delegado na terça-feira.
No fim da tarde, Fachin suspendeu as decisões de Mendonça e Dino, mantendo Andrei Rodrigues na chefia da PF. Paralelamente, o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, apelou ao presidente da Corte para que decidisse sobre o recurso contra o afastamento do diretor-geral, visando restabelecer a ordem institucional e evitar novos despachos contraditórios.
O cenário gera preocupação na campanha presidencial de Lula, que teme que a crise no Judiciário prejudique sua imagem perante a sociedade. Pesquisas recentes da Quaest indicam empate numérico no segundo turno entre o presidente e seu principal adversário, Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O entorno de Lula busca afastar a contaminação institucional da pauta eleitoral para focar em temas do cotidiano.
Em reação, o presidente defendeu nas redes sociais a quebra completa do sigilo das investigações do caso Banco Master, criticando vazamentos seletivos. A campanha petista vê a atuação de André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro em 2021, como uma tentativa de construir narrativa favorável a Flávio Bolsonaro.
O secretário de comunicação do PT, Éden Valadares, afirmou em vídeo que a crise no STF está sendo usada como instrumento eleitoral para barrar investigações sobre Flávio Bolsonaro. A estratégia do partido é mobilizar a militância e parlamentares governistas para questionar a postura de Mendonça e reforçar a relação do senador com o ministro e com o banqueiro Daniel Vorcaro.


