O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, em vídeo divulgado nesta quinta-feira (3), a investigação de todos os envolvidos no caso do Banco Master, incluindo agentes públicos. A manifestação ocorre após a revelação de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Lula afirmou que é fundamental que as apurações ocorram sem blindagens, independentemente de quem sejam os envolvidos. O presidente classificou o episódio do Banco Master como o maior roubo da história do Brasil, mencionando que milhões de pessoas foram prejudicadas. Ele lembrou que Vorcaro foi preso e a instituição financeira fechada durante sua gestão.
A fala acontece após a equipe de campanha do presidente encomendar pesquisas qualitativas para avaliar a percepção do eleitorado sobre a crise. Aliados temem que a imagem do ministro Alexandre de Moraes, associada à de Lula no combate ao bolsonarismo, possa contaminar a candidatura à reeleição em 2026. Antes do vídeo, o presidente manteve cautela pública por dois dias.
Sem citar Moraes nominalmente, o presidente cobrou que o presidente do STF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) liderem um processo que garanta a integridade das investigações. A crise no Supremo se intensificou depois que o ministro André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com diálogos que indicariam relação próxima entre o banqueiro e Moraes.
Lula também defendeu a necessidade de reformas profundas nos sistemas político e judiciário para fortalecer a democracia. A estratégia de campanha, coordenada por Edinho Silva, busca adotar o discurso de que ninguém está acima da lei, tentando neutralizar narrativas críticas às instituições comumentemente utilizadas pela direita.
Nesta semana, o presidente recebeu no Palácio do Planalto os ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin, presidente do STF. A reunião com Mendes não constava na agenda oficial e teve como pauta a crise interna na Corte.


