O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu, nesta quinta-feira (3), a manutenção da política de reajuste real do salário mínimo. Durante cerimônia sobre a redução da fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o chefe do Executivo indicou que um aumento de 3% acima da inflação seria insuficiente para impactar a estabilidade fiscal do país.
Lula rejeitou a tese de que a concessão de ganhos reais no piso salarial possa levar o país à quebra. O presidente sinalizou que, embora o tamanho do reajuste possa ser discutido, não abrirá mão de conceder valores que superem a inflação, descartando a possibilidade de desvinculação do salário mínimo com a Previdência Social.
A regra atual vincula o reajuste ao Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, fator que contribuiu para a aceleração do déficit previdenciário. No fim de 2024, o governo limitou esse reajuste a no máximo 2,5% para adequação ao teto de gastos, enquanto técnicos da área econômica defendiam moderações ainda maiores.
O impacto financeiro de cada real acrescido ao salário mínimo representa um gasto adicional de R$ 413 milhões na Previdência. Com o valor atual de R$ 1.621, uma elevação de 3% resultaria em R$ 20,1 bilhões extras nas contas públicas, sem contar a reposição da inflação.
A proposta de Orçamento para 2027 prevê que o piso suba para R$ 1.741. Essa diferença de R$ 120, que representa uma alta real de 2,3%, deve elevar as despesas em quase R$ 50 bilhões.
A fala ocorre em período de eleição acirrada, contrastando com a linha da direita, que defende o congelamento do piso. O cenário coloca o presidente em posição oposta aos ministros da área econômica, que buscam sinalizar um novo ciclo de austeridade fiscal após o pleito.


