O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (4), que o governo promoverá uma discussão profunda sobre o sistema Judiciário no próximo ano. A declaração ocorre após o petista sinalizar, por duas vezes, a necessidade de reformas profundas no setor para que a população continue acreditando na Justiça.
Apesar das falas, o programa de governo de Lula não apresenta propostas definitivas para o caso de reeleição. O documento menciona apenas a continuidade do diálogo com atores do Judiciário para estimular o aperfeiçoamento do sistema, respeitando a autonomia dos Poderes. O texto aponta que a Justiça brasileira é marcada pela morosidade decisória, causada pelo volume de processos e instâncias recursais.
As manifestações do presidente ocorrem após o início de uma crise no Supremo Tribunal Federal (STF). O episódio foi desencadeado pela revelação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Na quinta-feira (3), Lula já havia cobrado investigações independentemente dos envolvidos, afirmando que o sistema político e Judiciário precisam de mudanças.
A crise na Suprema Corte começou na terça-feira (1º), quando o ministro André Mendonça determinou a retirada do sigilo de uma ação sobre a investigação de Vorcaro. Registros de novembro de 2025 mostram o ex-dono do banco perguntando a Moraes se deveria deixar o país antes de uma possível prisão. Os arquivos recuperados não permitem reconstruir a totalidade das conversas nem as respostas de Moraes.
A campanha do presidente prepara uma reação política às revelações, embora não haja expectativa de que Lula comente o caso diretamente. Integrantes do grupo argumentam que a associação entre o presidente e Moraes baseia-se em uma ideia falsa de ligação do ministro com o Partido dos Trabalhadores (PT). A campanha menciona que, na mesma lógica, o ministro Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro (PL), estaria ligado ao PL.
Questionada por meio de aplicativo de mensagens sobre a possibilidade de novas propostas para o tema, a coordenação da campanha não respondeu até a publicação da matéria.


