O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta sexta-feira (4), que ninguém pode utilizar cargos públicos para benefício pessoal em nome da democracia. A declaração ocorreu durante a sanção de projetos de lei que criam fundos especiais para a Justiça Federal e o Ministério Público Federal (MPF).
Lula não citou nominalmente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mas falou durante a crise que envolve o magistrado e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. O evento contou com a presença do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, ambos citados em mensagens entre Moraes e Vorcaro.
O presidente disse ter a preocupação de fazer um esforço para que a sociedade brasileira não perca a esperança e a credibilidade nas instituições responsáveis pelo sistema democrático e pelo Estado de Direito. No mesmo evento, o presidente do STF, Edson Fachin, afirmou que a resposta aos acontecimentos recentes será firme, proporcional e rigorosa.
Fachin defendeu a urgência de três metas de gestão: a adoção de um código de ética, a modernização do sistema de Justiça e o fim do inquérito das fake news. A crise na Suprema Corte começou na terça-feira (1º), após o ministro André Mendonça determinar a retirada do sigilo de ação sobre a investigação de Vorcaro.
Documentos indicam que o banqueiro questionou Moraes, em novembro de 2025, se deveria deixar o país antes de uma eventual prisão. Vorcaro também pediu que o ministro interviesse junto a Paulo Gonet e Andrei Rodrigues para evitar que agentes da Polícia Federal realizassem ações contra ele.
Mendonça informou ter se reunido com Vorcaro em março de 2025 para tratar de uma Suspensão de Tutela Provisória. O ministro deve entregar o relatório sobre o caso nos dias 7 ou 8 de setembro e solicitou sessão do plenário para analisar se Moraes deve ser investigado.


